...Blogue de alguém que gosta de entre outras coisas, praticar BTT turístico, pertence ao famoso grupo "os KEZIA®".
Tem como lema: "Vive a vida enquanto és vivo(a),pois vais passar muito tempo morto(a)..."
Durante um inesquecível passeio Domingueiro, ficou decidido que o dia 19 de Maio estaria impreterivelmente reservado para os KEZIA ® fazerem mais um passeio épico, quem tinha casamentos, batizados etc...Teria que os adiar.
Desde logo surgiu a ideia de se fazer o tal passeio pela zona da Serra da Peneda.
Os locais de passagem obrigatória seriam:
...O Pito (todos queriam ir ao PITO).
...Percorrer o PETISCO do Major...
...E a tradicional peregrinação pela Bouça dos homens até ao Santuário da Srª da Peneda (a dificuldade seria sair do local e não chegar ao local )...
Estava prometido um Arroz de Cabidela fresquinho (quentinho) no final ...
...Não se foi ao PITO*...
...Não se provou o Petisco do Major...
...Não se foi ao santuário...
...E quase que não se comia o arroz de cabidela...Alguém se esquecera de levar o arroz...
Apesar dessas contrariedades,o passeio acabou por ser 5***** para os 17 KEZIA ® . Que quando estavam na Bouça dos Homens (Branda da Peneda) as condições climatéricas pioraram, havia chuva, granizo e vento, como sabíamos que a descida para o Santuário pelo trilho era sempre em pedra, corria-mos o risco de alguém ter uma queda e deixar de poder fazer aquilo que muito gostamos (andar de bicicleta) por isso resolveu-se encurtar o percurso precisamente na parte mais difícil, porque achamos que seria demasiado arriscado fazer a descida com o piso molhado, uma vez que mesmo seco já é bastante escorregadio. Mais para proteger os cozinheiros de serviço...Poderia-mos ir ao Santuário pela estrada...Mas não era a mesma coisa...
Percorremos locais de rara beleza que estão excelentemente retratados/relatados no Blogue do Daniel
...Fumeiro é nome genérico dado a carnes expostas ao fumo para conservação das mesmas.
Por isso existem fumadores que acreditam que expor os pulmões ao fumo os vai conservar...
Mas também o frio conserva a carne e os vegetais, facto este que nos leva a sair de casa "pela fresca" precisamente para activar a nossa conservação...
Os KEZIA®, aproveitando o excelente desprezo pela conservação dos caminhos rurais, e, ao padecerem de uma doença que ainda não foi estudada devido aos pacientes (eu incluído) não estarem em condições fisico-psiquicas de se submeterem a testes que não tenham pedais, pó ou lama, pedras ou paus soltos que se movem a nossa passagem, resolveram fazer mais um passeio SCUT (sem custos para o utilizador) , sendo sem custos não foram pre-distribuídos brindes, nem sequer foi marcado o percurso, apenas foram informados do local de agrupamento e a hora, com tolerância de 20 minutos (antes e depois)...
A ideia foi do Daniel, o inicio seria em Lordelo junto ao JMM, como era sem custos, resolvi comparecer na bicicleta, são só 10 Km. e para aquecer chega perfeitamente, como conheço o Daniel sabia que iria ter algumas pendentes logo no inicio...Por acaso agora que estou no rescaldo, estava a pensar que ninguém sabe ao certo o grau de inclinação daquilo, fica aqui o convite a quem se der ao trabalho de seguir o track disponível para analise, é nos primeiros 5 Km. a seguir ao JMM, precisamente nos primeiros metros de terra !
O percurso não era novidade para todos, desta vez optamos por fazer uma parte do PSING na ascensão Citânia de Sanfins, mas como ninguém estava de singlespeed, o Daniel brindou-nos com magnifico "rebuçado" ascendente...(parece que por esta altura alguns teimavam em não utilizar os três carretos maiores da cassete).
Por curiosidade perto da celebre rua da descida cruzamos-nos com o CEVA, deveriam estar a esmiuçar algo...A primeira paragem para provar o tema deste Texto, foi precisamente na
zona onde se apela mais pela imaginação de quem não se dá ao trabalho de
consultar o museu e respectivo centro interpretativo da citânia de
Sanfins. por isso deixo aqui um apelo para visitar os respectivos
locais, mas a verdadeira função das ruínas existentes será sem duvida a
imaginada pelos KEZIA®...
Enquanto decorriam as explicações algo duvidosas do Hugo aproximou-se um grupo de betetistas de Ermesinde, que não resistiram aos cheiros do fumeiro e abandonaram o track que estavam a seguir para se juntarem a nos...
Mas quando souberam que para provar uma pequena rodela de chouriço de Porco Preto teriam que nos acompanhar até ao Pilar, desistiram, até porque não estava-mos a ir pelo caminho mais suave...
Mas o Pilar esperou por nos, e como alguém no passado teve a ideia de la colocar umas mesas para merendas, os KEZIA® que recentemente visitaram algumas feiras do fumeiro e terão abastecido os respectivos armazéns com algumas iguarias das feiras, lá as ofereceram aos que faltaram...O meu agradecimento neste caso ao Domingos e ao Zé. Quer pelos fumeiros quer pelas famosas navalhas para cortar os respectivos...
Este repasto serviu para nos dar forças para enfrentar-mos o famoso ENCHURREIRO, sem duvida a verdadeira e saborosa entrada para o prato principal que seriam as belas quedas de agua de Fervença. A partir daqui o percurso tornava-se mais suave, mas igualmente belo, a zona rural de Monte Córdova tem-se mantido pitoresca, acho que é um dos locais em que da prazer pedalar por esta imensa acalmia, chega a ser poética de tal maneira que nos sentimos leves ao pedalar por entre estas magnificas passagens. De tal forma que o Silva deixou-se levar pela poesia e esqueceu-se do CAMELBAG num café , mas só após a poesia passar, não sei quantos quilómetros depois de Monte Córdova sentiu que já era levesa demais, e la teve que voltar atrás para recuperar a famosa navalha do presunto...
O percurso estava estranhamente a aproximar-se de Lordelo, apesar de estar cansado acho que com uma outra paragem serviria para abastecer para mais uns bons quilómetros, nisto entramos numa pedreira nossa conhecida e começamos a subir, o Martinho reclamava que estava sem travões, eu achava que iria haver mais algum petisco velocipédico, mas quando vi um carro conhecido estrategicamente estacionado num local privado de lazer conclui que o petisco seria mesmo culinário...
Eles já sabiam o que fazer, no carro haviam geleiras com vinho, cervejas, aguas e refrigerantes, carnes devidamente temperadas, toalhas pratos etc. Até carvão e um extintor...
O Daniel realmente tem as condições para se candidatar a lider dos KEZIA®, por mim recebe 2 votos...O Figueiras pode ser o guia no exterior e os outros (eu incluído) os seguidores
Após o churrasco ainda chegou gentilmente ao local um muito bom caldo verde, este tenho que agradecer a quem o fez e principalmente o trouxe ate ao local, sem duvida uma pessoa que merece o nosso respeito e admiração, por mim prometo que assim que possa lhes (Daniel e a respectiva) farei o mesmo (proporcionar uma refeição sem ter que fazer mais que simplesmente apreciar a comida num local soberbo)...
Após o repasto, já era noite, acompanhei o Cristiano (iluminando-lhe o caminho com a lanterna do Daniel) e foi bastante divertido o regresso a casa, e contemplar as expressões das pessoas a minha passagem, e realmente bom pedalar a noite e mais uma vez fazer parte da paisagem , neste caso da iluminação, agora que as Câmaras Municipais resolveram manter apagadas alguma da iluminação Publica (desde que não seja a porta deles) se os Autarcas resolvessem andar de bicicleta poupariam muito mais...
Esta não foi a minha primeira experiência em Singlespeed !!!
...Com efeito, apesar da minha primeira bicicleta já ter dois pratos pedaleiros e cinco carretos atrás. Era roda 24, quadro em aço excelentemente pintado em verde metalizado, guiador de "corrida", tinha aros em alumínio e com ela aprendi a andar de bicicleta. tinha já uns dez anos e viviam-se os anos 80, a TV era a preto e branco e brincava-se na rua, nos campos ou nos montes, algumas crianças estudavam pela tele-escola, brinquedos era apenas pelo Natal, alguns sortudos tinham também um brinquedo em Agosto, não porque o pai recebia o Subsidio de Férias (coisa que vai também ficar no nosso imaginário) mas porque tinham algum familiar que era emigrante, e, lá do "strangeiro" traziam qualquer brinquedo a pilhas que por cá não havia daquilo...
...Entretanto por cá foi-se vivendo cada vez melhor, na TV, já a cores, dava o TOPO GIGIO...Vivia-mos a era das BMX (no strangeiro) certo dia, comprei a minha primeira Singlespeed era roda 20, Azul celeste metalizado com pneus amarelos, e umas esponjas também amarelas, Confersil, era a marca do fabricante naturalmente Nacional...Haviam as TIP TOP, creio que eram Orbita e eram também roda 20, e haviam ainda umas roda 20 com amortecedor central...Na TV dava o Carlos Cruz e a Bota Butilde...
Os anos foram descontando e, à poucas semanas recebi um convite para participar num passeio Singlespeed...Pesquisei na NET (antigamente era a TV) e resolvi meter mãos à obra...Procurei no meu baú, que está etiquetado de "LIXO PARA GUARDAR" e lá tinha uma corrente XT usada mas boa, um prato pedaleiro igualmente usado mas bom, só me faltava um tensor e o respectivo carreto 18 single...Após a compra do tensor, procedi à desmontagem de tudo o que não faz falta numa multispeed (a bicicleta perdeu mais de 1 Kg) e fiz um curto teste. Verifiquei que seria bastante difícil para mim, sobretudo nesta época em que não tenho dedicado o tempo necessário à pratica do BTT...
Aproxima-se o dia e pedi o Track á desORGANIZAÇÃO que esteve a cargo do CEVA, com receio de não poder acompanhar o penúltimo, sobretudo devido à falta de tempo para treinos.
No dia e hora marcado lá estava eu, mas tive aquela sensação que estaria no local errado...Sá via bicicletas multispeed à minha volta...Pensei logo que o tempo perdido na transformação da minha bicicleta tinha sido em vão. Deveria ter treinado em vez de andar a mexer na bicicleta...Na página do Facebook estavam anunciados 30 elementos (eu a pensar em 30 singlespeed's)...Mas rapidamente fui avistando algumas Singlespeed, quase todas já as tinha visto no fúrum da especialidade, inclusive os detalhes das respectivas transformações. Dizem que eram 20 à partida mas à chegada eram 21???!!!
...O passeio prometia...No briefing o INDY informou que haveria alteração na parte inicial. Em vez de fazer-mos o aquecimento em estrada plana (tal como estava no track) iria-mos directamente para o monte e logo a subir...Pelo kintal...Começa-mos a pedalar e o que me enervou solenemente, foi o som das bicicletas do pessoal das muiltispeed's a fazer reduções...Aquelas correntes a baixar do prato do meio para o pequeno TAC! TAC! TAC! TAC!...E logo a seguir subirem dos carretos traseiros do meio para os maiores do lado de dentro TAC-TRAC TAC-TRAC TAC-TRAC...Enfim...Se ao menos metessem as velocidades como deve ser...Depois o andamento dos tipos...Muito lentos a subir, um gajo tinha que os passar pelo mato para não ir contra eles...
...Fora isso o percurso foi mesmo muito bem delineado. Apesar de passar por muitos locais conhecidos, para mim, foram muitos os quilómetros totalmente novos. Gostei de falar com gajos mesmo siglespeedodependentes que é o caso do Max do Forum SingleSpeed Portugal, os BTT PINOCO que apesar de serem vizinhos nunca pedalei com eles ate agora, e sobretudo passei um dos melhores dias de BTT até à data, sofri durante a subida de Riba d'Ave para Lordelo (mas quem não sofreu ali?)
Mantive sempre um ritmo calmo para ter a certeza de chegar ao fim, sem arriscar nem nas subidas nem nas descidas em que estava sozinho e assim terminei mais um passeio sem incidentes e ainda tive tempo de ajudar a transformar uma multispeed em singlespeed já próximo de Monte Córdoba...
Para mim foi muito bom, apesar do cansaço por falta de treino, mas algum pessoal leva a coisa um pouco ao extremo e anda em singlespeed com forquetas rígidas, creio que é um martírio para os pulsos...
Para já a bicicleta vai continuar SINGLESPEED, gostei, mas talvez uma relação 32-19 seja mais adequada para montanha...
...No passado dia 18 de Junho, os Kezia ® aproveitaram o belo dia para fazerem mais um épico em BTT...O percurso teve por base uma dura prova realizada por um desses grupos/associações, com fins lucrativos...Como os Kezia ® não possuem patrocínios, logo não podem participar em eventos cujo objectivo é a obtenção de lucro (€uro$)...
...Assim sendo, "pegou-se" num track de um(a) desses(as) grupos/associações, e foi feita uma adaptação para uso exclusivo dos Kezia ®. A adaptação foi retirar partes do trajecto que percorriam alguns quilómetros em estrada apenas para passar junto aos patrocinadores da dita prova e "adicionar" parte de um antigo track por nós percorrido, mas desta vez, no sentido inverso...
O trajecto, teve inicio como habitual nas rondas pelo Marão, em Amarante. Estavam presentes sete Kezia's ® prontos para percorrerem 26 Quilómetros até ás Minas do Teixo, mas percorrendo um total de 82 quilómetros!!!
..."Apanhamos" a N15 até Ovelhinha onde se iniciavam os verdadeiros trilhos do nosso agrado, mas mesmo assim, ainda na N15 o Silva (um pneu da byke dele) furou...Apenas estavam contabilizados 4 Km e já estava-mos a abrandar a média e o Silva a ser FU...(ver parte inicial do Video)...
Ao Km. 9 Eu e o Zé paramos p'ra apanhar Cerejas (mais um abrandamento)
Era uma das primeiras Plantas que seriam objecto de discussão durante este magnifico "passeio" ... Muito gentilmente, dei uma cerejinha (apenas uma) ao Daniel, porque a nossa média habitual já estava a ficar um pouco nos limites mínimos e tínhamos que prosseguir a difícil ascensão em busca do Teixo...
...TEIXO (Taxus baccata); é uma árvore gimnospérmicaia da família das Taxáceas que nasce de forma espontânea nas terras altas de Portugal, sobretudo no Gerês, podendo no entanto ser também cultivada. Esta árvore é venenosa e já tem havido mortes pela ingestão de caroços/folhas da mesma.
Pensa-se que era a matéria prima para o arco do Robin dos Bosques, principalmente por ser a madeira utilizada nos arcos de guerra ingleses desse período.
Mas ao quilómetro 12 a cereja que eu dei ao Daniel fez um efeito nefasto no estômago dele, estranhamente ele estava a ficar um pouco para trás...Por esta altura a conversa sobre plantas era a Aveia, um cereal muito apreciado pelo Figueiras, recomenda-mos um chá acompanhado por umas bolachinas de Aveia assim que houvesse oportunidade, e a oportunidade surgiu em Murgido. Aldeia típica desta zona, com inúmeras casas com telhados de Xisto. Xisto que seria uma constante a partir dali. Enquanto o Daniel se deliciava com o chá e as bolachinhas de Aveia, eu e o Hugo mantinha-mo-nos em movimento para não arrefecer...
A planta seguinte abundava a partir dali...Não era a planta em si, mas a sua bela e majestosa forma ...
O Cristiano estava por aqui, acompanhado por conhecedores da matéria, pela primeira vez, nunca tinha ouvido tal palavra, pensou que estaria-mos a brincar com ele quando lhe referimos que estava-mos na presença de CONÍFERAS, ele olhava em todos os sentidos, incógnito e sem saber o que seriam as tais coníferas, o grupo, para dar um toque de brincadeira á coisa ainda lhe diziam que "as mais belas são as farfalhudas" era mais uma planta neste épico que acabaria por enriquecer o conhecimento biológico-cientifico do nosso jovem amigo Cristiano...
... Finalmente chegamos ao quilómetro 26, estava-mos nas Minas do Teixo, e com o sugestivo nome de uma tal planta venenosa resolvemos almoçar ali mesmo... As minas do Teixo (actualmente abandonadas), também conhecidas por Minas do Penedo ruivo (devido á proximidade desse ponto) .Foram exploradas para obtenção de Estanho, teve actividades laborais desde a época Romana, pensa-se que o Ouro seria a sua busca original, mas a maior actividade foi entre 1940 e 1968, onde se extraiu Columbite/Tantalite e Cassiterite. As Minas do Teixo foram declaradas abandonadas em 1988...
A partir deste ponto só faltavam 68 quilómetros de puro prazer velocipédico, apenas faltavam 4 quilómetros para a capela da Senhora da Serra (topo do Marão), descidas fantásticas , passagens por locais magníficos...Mas o assunto aqui descrito era o TEIXO, e está arrumada a questão, as minas do Teixo não são minas onde extrai ou extraiu-se Teixo, mas sim minério existente em Portugal, mas que não era rentável a sua extracção devido sobretudo á falta de mão de obra especializada e essencialmente aos custos de aquisição de maquinaria adequada... É curioso que quando estou a escrever isto, as obras do Túnel do Marão estão paradas por falta de €uro$, que foram canalizados para o pagamento de Submarinos talvez os submarinos sejam a salvação do meu Pais, uma vez que este meu Pais está a ir ao fundo, por isso é muito importante dar a conhecer locais altos onde se retardará o afundamento...As Minas do Teixo são uma boa escolha...
...Amarela, era para mim o nome de uma serra, que apesar de eu saber da sua existência, desconhecia a sua localização...
Por isso, quando os KEZIA® me convidaram para um "passeio" que passaria pela Amarela, logo tratei de arranjar tempo para a conhecer...
O dia seleccionado foi o 14 de Maio e logo pelas 7:00 estavam onze KEZIA's ® preparados para esta aventura. Esperavam-nos um percurso com aproximadamente 80 quilómetros e com um acumulado de subidas de 3650 metros, os primeiros 24 quilómetros levava-nos dos 52 metros, situados na margem do Rio Lima em Entre Ambos os Rios, até aos 1363 no topo da Serra Amarela...
A subida revelou-se mais fácil que o esperado, apesar de ter havido uma diferença de 25 minutos entre o primeiro Kezia® e o ultimo Kezia® a atingir o topo...
...Partimos desde o Parque de Campismo em direcção á pitoresca/preservada aldeia de Froufe. daí seguiu-se a ascenção pela espectacular estrada de acesso á ainda mais pitoresca/preservada aldeia da Ermida, até que nos aproximamos da Branda da Ermida, de seu nome Branda de Bilhares, Ao chegar aí, depara-mo-nos com o habitual aspecto das Brandas, ou seja o seu quase completo abandono...
...De referir que esta parte do percurso foi iniciativa do Daniel, que terá passado por estas paragens e não resistiu em nos convidar a dar um passeio por estes magníficos locais. Do mesmo modo, Eu, no dia seguinte voltei aos locais, que para mim eram novidade apenas para os mostrar, no caso á minha mulher e á nossa filha...
...A partir daqui (Branda de Bilhares) o "passeio" aumentava de dificuldade, o caminho está em mau estado, e, no meu caso, o frio e a consequente falta de roupa adequada a estas altitudes (existe sempre vento) fez com que a subida fosse bastante penosa...Havia pouca vegetação, talvez devido a incêndios ocorridos em anos anteriores, mas mesmo assim ainda se via algum gado que se ia alimentando do pouco que escapou. Cruzamos-nos ainda por alguns praticantes de pedestrianismo, pelas poucas palavras e com um sotaque nórdico, deixou-nos admirados como locais remotos como este são conhecidos por este mundo fora...Mais á frente, duas senhoras devidamente agasalhadas (lenço na cabeça, chapéu, grossas camisolas, calças, saia e as indispensáveis botas) provavelmente habitantes da zona, perguntaram-nos se tínhamos avistado um jovem bezerro (se é bezerro, é porque é jovem) que se teria afastado da sua mãe...Lamentavelmente não o tinha-mos avistado...
Após atingido o cume, havia quem já estivesse por lá á algum tempo e certamente tinham alguma pressa em iniciar a descida. Não sei quem foi o primeiro, mas cá em cima ainda ficaram os "velhotinhos" por largos minutos.
Contemplando este ponto que faz a divisão administrativa entre os conselhos de Braga e Viana do Castelo. Voltados a Sul avistamos o Gerês, a Norte a Peneda, Oeste o Vale do Lima e para Este Espanha...
...Parte da descida (6 quilometros) é o mesmo caminho por onde fizemos a subida. O frio teimava em não me largar. Ao chegar junto de um grande numero de carros, alguém disse: "Os bossos amigos tom na cabana"...
...E que amigos. Já lá estariam á meia hora, ostentavam malgas de vinho tinto, pão e carne assada...Timidamente aproximamos-nos e rapidamente pareciam que nos conheciam desde sempre. Era um grupo de Caçadores locais que se tinham juntado precisamente naquele dia para fazerem umas "obras" de restauro na cabana.para ali tinham levado vinho, carne etc. Peguei numa costeleta das brazas e fiquei a pensar se seria do tal bezerro que as senhoras andavam á procura. Mas garantiram-me que era Anho e teria sido criado em cativeiro. Mas estava divinal...
Entretanto ficamos a saber que a cabana estava sempre aberta, poderia-mos fazer uso dela em qualquer ocasião desde que a deixasse-mos como estava (servia também como pinódromo para os locais)...De facto no dia seguinte estava tudo limpo e pude verificar as condições (água, loiça, lenha, etc.)...
Por esta altitude já havia um pouco mais de vegetação e a temperatura era mais agradável (ou seria do vinho?), o estradão levaria-nos muito próximo de Lindoso, as vistas eram mais espectaculares, sobretudo (para mim) os pitorescos Espigueiros, o Castelo e a barragem , tudo isto foi reconstruido entre 1992 e 1993,como atestam as inúmeras placas afixadas por tudo o que é turístico em Lindoso...
.Chegados a Lindoso aproveitamos para tomar um café e "meio", antes de dar-mos inicio á subida em direcção a Tibo, pouco depois da travessia da barragem tive um furo, o que me deixou de mau humor, pois detesto parar e fazer parar nestas ocasiões, sabia que a subida seria um pouco longa...
No fim da subida (talvez quatro longos quilómetros) lá estavam os restantes companheiros (KEZIA®) em amena cavaqueira com um grupo de turistas oriundos de Guimarães, rapidamente, veio-me parar as mãos um caneca de Branco Verde fresquinho (por esta altura não tinha frio). Dai seria mais uma longa mas bela descida até á aldeia ,de seu nome Adrão. Ruas em granito extremamente estreitas, de tal forma que uma vaca teimosa, não dava a volta em plena rua o seu velho dono teve que contornar em passo de corrida o quarteirão apenas para a meter no curral !... São momentos destes, que fazem que o sofrimento em cima das bicicletas nos dê um grande prazer espiritual, apenas admirando a simplicidade das gentes serranas...
...No final da aldeia para-mos para mais uma merenda, o percurso estava muito próximo do Soajo, mas tinha muita pedra, para mim foi bastante demolidor, pois não preparei convenientemente este passeio e resolvi ficar para traz muito próximo do Soajo, enquanto a restante comitiva continuou com o percurso previamente estabelecido...Para eles ainda faltavam algumas duras subidas antes da pitoresca aldeia...
O Soajo ,o Mezio são para mim bastante conhecidos, não valia a pena continuar em sofrimento físico e ainda faltavam cerca de vinte quilómetros para os carros...Optei por descer até ao Soajo pela estrada e daí em direcção ao parque de campismo de Entre Ambos Os Rios, como tinha que esperar pela restante comitiva, aproveitei para dar um belo (gelado) banho nas aguas do Rio Lima. Totalizando 70 Km de extensão e 2435 metros de acumulado...O restante pessoal (KEZIA®) "apenas" fez mais dez quilómetros de extensão e totalizaram 3650 metros de acumulado...Parabéns para eles, que conseguiram cumprir em pleno todo o percurso...Uma vez mais planificado pelo Figueiras...
...Eu, no dia seguinte, voltei para fotografar os locais, apenas porque na véspera não levei máquina !!!...Mas de carro...Desta vez não fiz parte da paisagem como no dia anterior...
...Aproveitando o feriado de Carnaval fiz uma breve visita ao Nordeste Transmontano.
O local eleito foi a Albufeira do AZIBO.
Apesar das temperaturas ainda serem frescas, havia quem levasse farnel de casa para as tradicionais "tainas" em qualquer fresca, embora neste dia, qualquer local em Tras-os-Montes fosse fresco, mesmo ao Sol...
A Albufeira do Azibo tem quase 5.000 ha, e é paisagem protegida, para tal tem todas as condições para se manter o mais natural possível, o acesso de carro está bem delimitado, o acesso das pessoas também se nota que foi (em meu entender) bem pensado, tem bastantes locais para depositar lixo, protecções em corda ou madeira para se marcar por onde se pode praticar pedestrianismo(e são bastantes)...
Tem vários WC's (lamentavelmente fechados neste dia) e o mais importante uma paisagem bastante agradável...Tem uma praia com Bandeira Azul, Restaurante, Café, parque de merendas etc.tudo em locais distintos, o que faz com que não haja uma grande concentração de pessoas num só local...
Aproveitando que estava-mos numa das extremidades da albufeira (sim, nós também fazemos parte de quem levou o tradicional "farnel" de casa, e o respectivo garrafão de tinto)... Fizemos uma caminhada pela margem da albufeira em direcção ao café (mais ou menos 1 quilómetro)e podemos verificar que por ali existem inúmeras espécies de plantas, o que faz com que as cores da natureza tenham várias tonalidades distintas, um regalo para os olhos e para quem não se esqueceu da máquina fotográfica em casa...
Após os devaneios reais, fomos visitar PODENCE e o seu Museu do Careto.
Este foi o dia certo para se viver PODENCE.
Caretos, Chocalhos , Chocalhadas, Pauliteiros, Ginja...
Foi o Entrudo Chocalheiro 2011
...Melhor que as fotos de telemóvel, só mesmo vivenciando a simplicidade tradicional das gentes Transmontanas...
Adora-mos a festa do Entrudo Chocalheiro em PODENCE
Com este soneto em mente, soneto este que retrata de forma fiel a minha maneira de existir.
Aproveitamos um belo dia de Fevereiro para fazer uma caminhada "soft" no Gerês, o trilho escolhido foi o da preguiça, por ser "curto" e acessível a principiantes, neste caso éramos todos (eu, a minha mulher e a nossa filha).
O motivo para fazer esta caminhada, foi apenas para fazer a leitura de um texto narrativo da autoria do Sr. Dr. Adolfo Correia da Rocha...
Como a distancia ainda é considerável, antes de darmos inicio á caminhada nada como abastecer com algo que a natureza nos pode oferecer, no caso um razoável maduro tinto para os mais "maduros"...
Quanto ao trilho, iniciamos junto á casa da Preguiça, os primeiros 2000 Metros são de facto bastante difíceis para principiantes, agravados com algumas árvores tombadas devido ao mau tempo que nos tem acompanhado. Nas fotos estamos de mangas curtas, não significa que estivesse calor, são apenas provas da dificuldade do percurso, quer ascendente, quer descendente...
...Desde Maio que eu e o Berto decidimos percorrer os caminhos de Santiago, entretanto convidamos mais elementos dos KEZIA® mas apenas o Zé e o Daniel mostraram-se disponíveis para esta aventura. A data ficou decidida em Agosto mas o itinerário apenas foi escolhido poucas semanas antes da partida.
Escolhemos iniciar no Sábado do dia 2 de Outubro, para aproveitar a ponte do dia 5...
Para se iniciar, escolhemos a cidade de Guimarães, seguiria-mos por Braga e Ponte de Lima até Valença, porque era dos caminhos menos conhecidos e comentados. Assim que ouvimos dizer que se consegue percorrer os caminhos de Santiago em dois dias, resolvemos percorre-los em pelo menos três...
Para que os planos fossem cumpridos havia que se iniciar o caminho de dia para que o pudéssemos visualizar e seguir as famosas setas amarelas...
...E as setas levaram-nos de Guimarães até Santa Marta (Falperra), onde se carimbou pela primeira vez no Hotel... È curioso que nunca ouvi-mos dizer que o caminho passa nesse local de culto, nem sequer que, desde as Taipas sobe "a pique" impossibilitando em muitos locais de se pedalar, obrigando a andar com as bicicletas "à mão", a escassez de gente a percorrer integralmente este caminho faz com que a vegetação seja muito densa...
De Braga a Prado o caminho é essencialmente por estrada, mas pouco depois brinda-nos com passagens muito exigentes quase até Ponte de Lima onde separou um pouco para comer algo e tomar um café...A partir de Ponte de Lima é bastante conhecido e comentado, nomeadamente a famosa subida de Labruja, onde nem com a bicicleta "á mão" se consegue progredir...Foi por aí que encontramos os primeiros grupos de peregrinos, quer a pé, quer de bicicleta, demonstrando a rapidez de andamento dos Kezia® (em meu entender demasiado rápidos).
Com a nossa chegada a Valença chegou também a chuva, no Albergue de S.Teotónio era-mos o terceiro grupo a chegar (mais uma prova de rapidez), rapidamente nos instala-mos e jantámos (primeira refeição quente)...
...Quando acordei no Domingo, dia 3, já um grupo (os Jesuitas do meu amigo Martins da minha 1ª peregrinação a S.Tiago) tinha "abalado", diziam que foram ás 5 !!! Chovia copiosamente e os comentários eram desanimadores para alguns, falava-se em desistir, mas os Kezia® mantinham-se firmes, apenas se preocuparam em se proteger da chuva que iriam apanhar certamente, tentando minimizar as possíveis consequências, assim recorreram a sacos grandes para retardar a entrada das chuvas no corpo...Tomou-se o pequeno "grande" almoço e a chuva miraculosamente parou !
Arrancamos em direcção a TUY e logo após a cidade o primeiro contratempo...As chuvas tinham transformado pequenos riachos em rios ! A água chegou a dar pelos eixos, havia quem vinha para trás quase a chorar, mas ao verem, os agora três Kezias® a progredirem lá se decidiram a seguir também o caminho, que por sua vez rapidamente chegou a Porrino e sua bela cidade que estava em festa...Após TUY é MÓS, e com MÓS voltou a chuva, mas agora estava-mos em altitude e não havia problemas com os rios, mas a fome (a mim) apertava, e obrigou-me a parar...E a parar os restantes KEZIA's® ... Retemperadas as energias , mesmo antes do Albergue de MÓS e a sua famosa extra longa subida...Depois de uma subida vem outra e mais outra até ás mais violentas descidas para a bela cidade de Redondela, aí estava completamente encharcado, mas a chuva voltou a abrandar mesmo no inicio da subida para Soutoxusto...
...Soutoxusto, é onde tinha prometido pagar um copo de Tinto a quem me acompanhasse ao Lume Novo, ai, pedi pão e vinho, porque o Zé tinha chouriço, após esta magnifica paragem bem quentinha, mudei de roupa e após o cafezito continua-mos o caminho a descer em direcção a Ponte Sampaio, estávamos bem animados, o reforço alimentar, o curto descanso e o café quente vieram mesmo a calhar.
Ao chegar-mos á N550 vi-mos uma Ford® Transit® de matricula Portuguesa rodeada de bicicletas, e que bicicletas, eram as PASTELEIRAS® do pessoal deSanto Tirso, estavam a fazer o caminho por estrada e até tinham mais quilometragem que nós, devido a estarem a fazer o caminho pela costa...
Para-mos o tempo suficiente para comer mais presunto, pão de centeio e umas mini's, dois dedos de conversa com o Sr.Matos (também ele acompanhou-me na minha primeira peregrinação), com o Jerónimo(o melhor carteiro da zona norte) e com o restante pessoal, eles estavam com equipamentos a condizer com as bicicletas, as galochas eram feias mas eficientes...Arranca-mos logo de seguida, e enquanto eles continuaram pela estrada nós seguimos as setas que nos levavam pelo duro mas belo caminho até Pontevedra, naquelas paragens quase não havia ninguém (a chuva afasta os turistas e residentes) pelas ruas centrais em direcção á ponte apenas encontramos as famosas estátuas das crianças brincando, como de costume lá se puxou da máquina fotográfica para uns sempre belos registos...Assim sem gente, as setas e as vieiras localizam-se muito facilmente, proporcionando andamento rápido e sem paragens em busca das indicações...
Após a passagem da ponte surgiu o primeiro furo no pneu do Zé,enquanto se consertava o dito, lá fomos ultrapassados por dezenas de peregrinos quer a pé quer de bicicleta, a partir daqui o caminho passa muitas vezes junto da linha de comboio, e por campos e quintais, de vez em quando apanhava-mos uvas americanas que por aqueles lados tem uma cor um pouco mais clara que as de cá, mas são igualmente deliciosas...Antes de chegar-mos a Caldas de Reys ainda houve tempo para visitar as quedas de água do Rio Barosa, como estava o tempo de chuva, era-mos apenas nós a contemplar aquela força da natureza. Ainda tenta-mos convencer um grupo de betetistas que nos andava a perseguir (e nós a eles) desde manhã, mas não tinham animo (força) para fazer a pequena subida até ao parque natural, mas este parque fica muito próximo de Caldas de Reys, para nós não faria diferença, pois sabia-mos que a etapa estava quase concluída...
À chegada a Caldas de Reys, o caminho passa junto á fonte de águas termais, que são quentes, mesmo muito quentes, e que bem que nos soube por lá os pés...Entretanto era preciso arranjar lugar num Albergue, mas sabia-mos que estavam cheios, os peregrinos estavam a ser encaminhados para o pavilhão local, mas apesar de eu estar entusiasmado com a ideia (dormir no chão) os restantes elementos preferiram procurar algo mais confortável, e eu não me incomodei nada com a ideia, rapidamente arranjou-se uma pensão com garagem para as bicicletas, cama (verdadeira, não beliches) TV etc. a um preço simbólico...Após um longo banho quente, procurou-se um restaurante "jeitoso" (incrivelmente barato) onde encontra-mos muito do pessoal que nos tinha acompanhado desde Valença...O cansaço aconselhou-nos a deitar cedo,para tarde erguer...
... Na Segunda Feira dia 4, pela manhã, bem cedo, (9h em Espanha, 8h. em Portugal) arruma-mos as coisas, lavamos e carregamos as bicicletas. O dia estava com o céu bem limpo, o calçado ainda estava molhado, resolve-mos colocar um saco por fora das meias para não sentir a humidade nos pés e partimos rumo ao primeiro café que aparecesse (durou cerca de dez metros) toma-mos um "muy rico" pequeno almoço e foi dada a partida, o caminho seguia pelo centro de Caldas, curiosamente nunca tinha passado por ali, nos anos anteriores seguíamos pela estrada principal, embora fosse paralelo a arquitectura do centro histórico merece ser visitado, e como era dia de feira até foi bastante divertido passar pelo meio daquele reboliço...Rapidamente atingimos uma zona rural e logo de seguida a zona florestal com muito bom piso rolante, começamos a passar peregrinos a pé e alguns de bicicleta (o descanso fazia com que o andamento fosse bastante rápido) após o "bosque" junto á Autopista (sempre a descer) ,na entrada da "carretera" estavam dois Guardas Locais a fazer controlo de peregrinos, tomando nota dos nomes e números de BI, e carimbando as credenciais, a nós ainda nos fotografaram (com as nossas máquinas) mostrando a sua simpatia...Logo depois fizemos uma paragem para reforço alimentar e pôr alguma conversa em dia, faltavam poucos quilómetros para Padrón, aí fomos "apanhados" por um grupo bastante numeroso de betetistas, eram os BTT Penafiel, que seriam "apanhados" na cidade industrial de Padrón , durante algum tempo fizeram-nos boa companhia (traziam uma senhora no grupo que andava bastante bem) até que tive um furo lento que nos fez atrasar...Por esta altura era a vez do Zé sentir fome, mas com S.Tiago á vista, resolvemos parar apenas lá. Escolhemos o primeiro restaurante que apareceu, faltavam apenas 4 quilómetros e não fazia sentido chegar ao fim do caminho muito cansados e cheios de fome...
Após um prato de massa, um hambúrguer, uma sopa, café e cerveja, muda-mos a câmara e prosseguimos em direcção á Catedral muito religiosamente (calmamente), tinha-mos demorado dois dias e meio a chegar ao que pensava-mos ser o fim desta aventura...
Após as fotos da praxe, fomos carimbar pela ultima vez na Oficina do Peregrino e receber a respectiva Compostela.
Na Oficina existem vários balcões de informações, dirigi-mo-nos ao da RENFE® (equivalente á CP em Portugal) e percebemos que não iria-mos apanhar um comboio com ligação a tempo de chegar a Portugal pela tarde, então fomos para a estação comprar os bilhetes para as bicicletas no primeiro comboio com lugares disponíveis para as bicicletas, na estação encontravam-se os BTT PENAFIEL, como era um grupo bastante numeroso estavam a negociar outra forma de regresso, soube mais tarde que regressaram de carro. quanto a nós ainda esperaria-mos cerca de duas horas, mas já com os bilhetes na mão resolve-mos voltar para junto da Catedal.
..Ao chegar-mos pela segunda vez á Catedral, um grupo bastante ruidoso chamou-nos a atenção, eram os elementos de Santo Tirso e as suas Pasteleiras,® quem passava pelo local, ficava admirado com todo aquele cenário, o tempo estava bom, as indumentárias a condizer com as bicicletas, favoreciam a paisagem arquitectónica antiga de Santiago...Foram tiradas inúmeras fotos de quem passava no local, quem passava esboçava um largo sorriso...
Após mais algumas canecas de cerveja, mais conversa, alguns test-drives nas respectivas Pasteleiras voltamos á estação... Pelas 20h. de Portugal "Apanhamos" o comboio até Redondela onde jantamos calmamente e novamente a preço simbólico, para iniciar-mos uma nocturna de trinta quilómetros até Valença pela N550.
Estava uma temperatura agradável (para a hora), não chovia, prepara-mo-nos o melhor possível para sermos vistos, as luzes não eram as melhores e a humidade do caminho tinha causado danos nas pilhas, também sentimos que faltou o colete reflector...Chegados a Porrino foi feita uma longa paragem na praça central excelentemente iluminada, a viagem pela estrada estava a correr muito bem, pouco ou nenhum transito, talvez 5 carros no percurso todo.
Logo que abandonamos o núcleo urbano da cidade, fomos interceptados por uma patrulha da Guardia Civil que nos aconselhou qualquer coisa em espanhol, mas fiquei sem saber o quê...De Porrino a TUY além dos guardas não vimos ninguém a circular. Na antiga ponte metálica (fronteira) tivemos oportunidade de tirar fotos no mesmo meio da ponte!
Chegados a Valença, dirigi-mo-nos ao quartel dos Bombeiros onde nos deixaram pernoitar lá, (o albergue estava fechado) apenas pretendia-mos proteger do orvalho...O cansaço e o sono deixou-nos dormir no chão, apenas com o saco-cama...
Pela manhã do dia 5 , após o pequeno almoço fomos para a estação de Valença, sabia-mos que o primeiro comboio seria ás 7:14 (haveria mais cedo se não fosse feriado oficial) quando o comboio chegou (vindo de Vigo) , o revisor não queria deixar entrar as nossas bicicletas...
Abriu a porta do compartimento para verifica-mos a razão...
Lá dentro estavam 11 bicicletas ! Um cenário incrível...Eram algumas BTT mais as Pasteleiras de Stº Tirso...
Mas dentro do comboio, no compartimento das bicicletas, surgiu o Sr.Matos, estendeu a mão e disse:
-Passem para cá uma de cada vez!
O revisor ficou momentaneamente sem palavras, mas rapidamente disse:
-OK, não me façam perder muito tempo !
...As bicicletas lá entraram, nós entramos no comboio e tivemos de passar o Sr Matos para dentro do compartimento dos passageiros...Pois tinha ficado entalado no compartimento de carga...
...E lá continuou a boa disposição até Famalicão (no nosso caso).
Quem entrava no comboio ao ver aqueles tipos com um aspecto retro, até pensavam que se estaria a rodar um filme antigo...
Após achegada a Famalicão, foi pedalar até casa....
Totalizando 300 quilómetros de aventura, cultura, desporto e muita animação...
Obs: Quem se fizer ao caminho evitar voltar de comboio, porque a RENFE está a modernizar a frota, em breve será a CP, não haverá mais que três lugares de bicicletas por composição. O pessoal de Stº Tirso conseguiu "furar" mas tiveram que fazer a viagem de noite, quando o comboio vinha "vazio"...
...Quase sempre durante as férias, em vez de descansar-mos acabamos por nos cansar ainda mais...
Por isso, eu e o Figueiras resolve-mos fazer uma pausa nas férias (cansativas) para andar-mos um pouco de bicicleta (para descansar)...
...A ideia inicial era ir desde Matosinhos até ao Furadouro (Ovar) e voltar, qualquer coisa como 100 quilómetros, sempre que possível por ciclovias...
...Pela manhã (não usamos relógio nas férias) lá arrancamos em direcção a Leixões e a sua merecidamente premiada, ponte móvel. Estava uma temperatura muito agradável, o cheiro a maresia, o som das ondas ao longe, era o tónico que nos inspirava para o resto da viagem...
Pedalando ainda pela margem norte do Douro, alcançamos um personagem que o Figueiras "baptizou"de EREMITA, o tipo, espanhol tinha iniciado uma viagem contornando a Península Ibérica pela costa (ida e volta), desde Portbou (Mediterrâneo) até ao cabo Higuer (Atlântico), já estava a fazer a viagem de regresso...yá me faltan pocos diaz... dizia ele com um sorriso...Esta não era a primeira grande viagem, e estava planeando uma travessia pela CHINA!!!
...Com este belo exemplo de viver a vida enquanto se é vivo, alcançamos a sempre espectacular zona da foz, a Ribeira e a histórica ponte D.Luis são sempre imagens que fazem parte do meu lema : "DE CARRO VEZ A PAISAGEM... DE BICICLETA FAZES PARTE DELA"...
Após a passagem para a outra margem, sabia-mos que encontraria-mos 15 quilómetros de dunas protegidas com passadiços em madeira, mas são interditos a bicicletas, por isso por vezes tivemos que partilhar a estrada com os automobilistas,ou até um pouco de BTT ...(por trilhos existentes)
...Entretanto lá se encontrou um passadiço que nos "deixou pedalar" até Espinho, por esta altura estávamos em ESMORIZ, invadindo sem querer, um local frequentado por tipos estranhamente vestidos que pareciam estar armados com objectos metálicos e que apenas gritavam de forma ameaçadora: " VÃO-SE EMBORA !!! NÃO PODEM ESTARAQUI !!! "
...Respeita-mos as ordens e seguimos rumo à estrada. Ao passar à Estação da CP de Esmoriz, resolve-mos investigar a possibilidade de voltar-mos de Comboio, convocamos uma assembleia geral, onde foi decidido voltar de comboio, mas apenas quando fossem horas de voltar...
Podia-mos ficar por ali (na Barrinha de Esmeriz) à espera da hora de voltar...Mas...Decidimos prosseguir rumo ao centro...
...Assim pedalamos até Cortegaça ; Furadouro; Torreira...Alcançando a bela Ria de Aveiro e seus Moliceiros...
...Logo depois...
...Aqui as opções eram: Voltar para traz e apanhar o trem em Estarreja, ou ir em frente a nado...E apanhar o trem em Aveiro...Ou mesmo fazer uma jangada, com o auxilio das minhas câmaras de ar (o Figueiras usa TUBLESS)....E apanhar o trem em Aveiro...
...Mas depressa constata-mos que se podia atravessar a Ria sem ser a nado...Um grupo de escuteiros da zona de Barcelos que estava por ali á espera da "lancha", estava de partida para casa e logo nos informou dos horários quer da lancha, quer do comboio em Aveiro...(quem tem boca vai a Roma)...
...A travessia entre S.Jacinto e a Gafanha da Nazaré é de 1 quilómetro, apesar de ser numa lancha, até foi muito suave...(Disseram que o Ferrie-Boat está avariado, o que impossibilita a travessia de automóveis)...
...Chegados à outra margem do Vouga, aproveitamos e fomos até à pitoresca aldeia, de seu nome Costa Nova,com as suas casas pintadas ás riscas coloridas sobre fundo branco, estas casas, outrora eram "palheiros" de apoio à arte Xáveca, actualmente são "palheiros" de apoio ao Turismo...Modernices...
...Daqui fomos em direcção a Aveiro pedalando numa ciclovia paralela ao antigo IP5, actualmente denominada A25...Constatamos que por aquelas paragens anda muita gente de bicicleta (ou não fosse a capital da GUGA), fazem-no de forma natural, não por desporto/recreio como os KEZIA's...O perfil das estradas é favorável, pois existem poucas subidas, e as que existem são curtas...
...AVEIRO...
Foram mais de 120 quilómetros, plenos de descanso, para mim um dos melhores passeios de sempre, talvez pelo improviso. Apenas o dia tinha sido planeado , por isso não causou stress a planear horários de comboios, barcos...Foi tudo na hora, o stress apenas veio nos momentos anteriores aos acontecimentos, tipo:
...Entrada no barco.... Nós nem sabia-mos que iria-mos andar de barco... Se estivesse planeada a travessia de barco era mais uma preocupação antes de chegar ao dito...
...Apenas lamento que acabaram as minhas férias ...
O sol já tinha mergulhado no Atlântico quando chegamos à Invicta, e ainda faltava chegar a Matosinhos...Descansadinhos, eu e o Figueiras...
Agradecimentos: Ao Figueiras que teve a ideia e ainda disponibilizou o transporte...